quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Acidentes Ofídicos - Mordedura de serpentes

 


Acidentes ofídicos, ou simplesmente ofidismo, é o quadro clínico decorrente da mordedura de serpentes. 

No Brasil é comum chamar as serpentes de “cobras”. Este nome é mais corretamente empregado para se referir às serpentes da Família Elapidae, no Brasil representada pelas cobras corais verdadeiras. Algumas espécies de serpentes produzem uma peçonha em suas glândulas veneníferas capazes de perturbar os processos fisiológicos e bioquímicos normais de uma possível vítima, causando alterações do tipo colinérgicas, hemorrágicas, anticoagulantes, necróticas, miotóxicas, citolíticas e inflamatórias. Algumas espécies de serpentes peçonhentas são de interesse em saúde pública. Elas pertencem à duas famílias: Viperidae e Elapidae.

Outras serpentes também podem causar acidentes, ou mesmo envenenamento, mas sem gravidade. Algumas serpentes da família Colubridae podem mimetizar a coloração das corais-verdadeiras. Estas são conhecidas como falsas corais. Embora possuem glândulas de veneno, os envenenamentos causados pelas falsas corais não são de importância em saúde. Difícil identificar a falsa coral, apenas Biológos pois são muitas características a serem analisadas.

Em caso de acidente com ANIMAIS PEÇONHENTOS procure um serviço médico imediatamente:
1- Não faça garrotes ou torniquetes:
2- Não faça incisões no local da picada;
3- Não aplique amoníaco, cáusticos, substancias irritantes ou contaminadas no local da picada;
4- Não ingira líquidos tóxicos ou bebidas alcoólicas;
5- Permaneça em repouso;
6- Não use medicamentos.


Sintomas

Os acidentes com serpentes variam de acordo com o tipo de animal envolvido, apresentando sintomas característicos que ajudam no diagnóstico e tratamento adequado. São divididos em quatro grupos, de acordo com o gênero da serpente causadora:


1- Tipo de acidente/Gênero: Acidente botrópico: É causado por serpentes da família Viperidae, dos gêneros Bothrops e Bothrocophias . É o grupo mais importante, com cerca de 30 espécies em todo o território brasileiro, encontradas em ambientes diversos, desde beiras de rios e igarapés, áreas litorâneas e úmidas, agrícolas e periurbanas, cerrados, e áreas abertas. Causam a grande maioria dos acidentes ofídicos no Brasil;
Nome popular: Jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca, comboia, cruzeira.
Sintomas: A região da picada apresenta dor e inchaço, às vezes com manchas arroxeadas (edemas e equimose) e sangramento pelos pontos da picada, em gengivas, pele e urina. Pode haver complicações, como grave hemorragia em regiões vitais, infecção e necrose na região da picada, além de insuficiência renal.
Jararaca - cauda lisa

2- Tipo de acidente/Gênero: Acidente crotálico: É causado pelas cascavéis (Família Viperidae, espécie Crotalus durissus). As cascavéis são identificadas pela presença de guizo, chocalho ou maracá na cauda e têm ampla distribuição em cerrados, regiões áridas e semiáridas, campos e áreas abertas;
Nome popular: Cascavel, boicininga, marabóia, maracabóia, maracá
Sintomas: O local da picada muitas vezes não apresenta dor ou lesão evidente, apenas uma sensação de formigamento. Pode ocorrer dificuldade de manter os olhos abertos, com aspecto sonolento (fácies miastênica), visão turva ou dupla, mal-estar, náuseas e cefaleia, acompanhadas por dores musculares generalizadas e urina escura nos casos mais graves.

Cascavel - cauda com guizo na ponta

3- Tipo de acidente/Gênero: Acidente laquético: Também é causado por serpentes da família Viperidae, no caso as espécies Lachesis muta e Lachesis rhombeata (surucucu-pico-de-jaca). A surucucu é a maior serpente peçonhenta do Brasil. Seu habitat é a floresta Amazônica e os remanescentes da Mata Atlântica;
Nome popular: Surucucu-pico-de-jaca
Sintomas: Quadro semelhante ao acidente por jararaca, a picada pela surucucu-pico-de-jaca pode ainda causar dor abdominal, vômitos, diarreia, bradicardia e hipotensão.

Surucucu pico-de- jaca a ponta da cauda com escamas eriçadas


4- Tipo de acidente/Gênero: Acidente elapídico: É causado pelas corais-verdadeiras (família Elapidae, gêneros Micrurus e Leptomicrurus). São amplamente distribuídos no país, com várias espécies que apresentam padrão característico com anéis coloridos com padrões monadal ou tríades. Possuem veneno muito potente e não dão bote.
Nome popular: Coral-verdadeira
Sintomas: O acidente por coral-verdadeira não provoca, no local da picada, alteração importante. As manifestações do envenenamento caracterizam-se por dor de intensidade variável, visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento. Óbitos estão relacionados à paralisia dos músculos respiratórios, muitas vezes decorrentes da demora na busca por socorro médico.





Prevenção

Os acidentes causados por serpentes podem ser evitados com medidas simples e eficazes. 
Segue algumas práticas essenciais de prevenção para reduzir os riscos de encontros com esses animais:

1-Usar botas de cano alto ou perneira de couro, botinas e sapatos pode evitar cerca de 75% dos acidentes ofídicos;
2-Usar luvas de aparas de couro para manipular folhas secas, montes de lixo, lenha, palhas, etc. Não colocar as mãos em buracos. Cerca de 20% das picadas atingem mãos ou antebraços;
3-Serpentes se abrigam em locais quentes, escuros e úmidos. Deve-se ter cuidado ao mexer em pilhas de lenha, palhadas de feijão, milho ou cana, e ao revirar cupinzeiros;
4-Serpentes se alimentam de ratos e por isso deve-se controlar o aparecimento destes roedores nas residências. Limpar paióis e terreiros, não deixar lixo acumulado. Fechar buracos de muros e frestas de portas;
5-Evitar acúmulo de lixo ou entulho, de pedras, tijolos, telhas e madeiras, bem como não deixar mato alto ao redor das casas. Isso atrai e serve de abrigo para pequenos animais, que servem de alimentos às serpentes.

Tratamento

O diagnóstico de envenenamento ofídico é eminentemente clínico-epidemiológico, não sendo empregado na rotina hospitalar exame laboratorial para confirmação do veneno circulante. Tempo de coagulação (TC), hemograma e função renal são importantes para o monitoramento da soroterapia e acompanhamento das complicações nos acidentes botrópicos, laquéticos e crotálicos.

O tratamento é feito com o soro específico para cada tipo de envenenamento. Os soros antiofídicos específicos são o único tratamento eficaz e, quando indicados, devem ser administrados em ambiente hospitalar e sob supervisão médica.

1-Tipo de acidente: Botrópico
Antiveneno: SABrB, SABLC ou SABCD
Classificação Clinica: 
Leve: quadro local discreto, sangramento discreto em pele ou mucosas; pode haver apenas distúrbio na coagulação.
Moderado: edema e equimose evidentes, sangramento sem comprometimento do estado geral; pode haver distúrbio na coagulação.
Grave: alterações locais intensas, hemorragia grave, hipotensão/choque, insuficiência renal, anúria; pode haver distúrbio na coagulação. 

2- Tipo de acidente: Crotálico
Antiveneno: SACrE ou SABC
Classificação Clinica:
Leve: alterações neuroparalíticas discretas; sem mialgia, escurecimento da urina ou oligúria. 
Moderado: alterações neuroparalíticas evidentes, mialgia e mioglobinúria (urina escura) discretas.
Grave: alterações neuroparalíticas evidentes, mialgia e mioglobinúria intensas, oligúria. 

3- Tipo de acidente: Laquético
Antiveneno: SABL
Classificação Clinica:
Moderado: quadro local presente; pode haver sangramentos, sem manifestações vagais.
Grave: quadro local intenso, hemorragia intensa, com manifestações vagais.

4- Tipo de acidente: Elapídico
Antiveneno: SAElaF
Classificação Clinica:
Dor ou parestesia discretas, ptose palpebral, turvação visual. Considerar todos os casos como potencialmente graves devido ao risco de insuficiência respiratória,

Fonte: Adaptado do Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos (2001) e do Guia de Vigilância Epidemiológica (2019).

A Devido à potencial gravidade do acidente laquético, são considerados clinicamente moderados ou graves, não havendo casos leves.
B SABr = Soro antibotrópico (pentavalente);
C SABL = Soro antibotrópico (pentavalente) e antilaquético;
D SABC = Soro antibotrópico (pentavalente) e anticrotálico;
E SACr = Soro anticrotálico;
F SAEla = Soro antielapídico (bivalente).


As informações fornecidas neste site são exclusivamente para fins de conhecimento e não devem ser utilizadas como substituto para tratamento médico. Em caso de acidente com ofídicos ou qualquer outra emergência de saúde, recomendamos a procura imediata da orientação de um profissional de saúde qualificado.

Veja a lista dos hospitais de referência para soroterapia de acidentes por animais peçonhentos separadas por estado, constando as cidades onde estão localizados, nomes dos hospitais, endereços, telefones, Código Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e atendimento disponível para acidentes com animais peçonhentos. As informações disponibilizadas são de responsabilidade da respectiva Secretaria Estadual de Saúde. Em caso de emergência, contate imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) ou o Corpo de Bombeiros (193). 


Fonte: Acidentes Ofídicos — Ministério da Saúde

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Qual a diferença entre Sal iodado e Sal não iodado?

  Com tantos tipos diferentes de sal disponíveis — como sal iodado e sal não iodado — pode ser difícil saber qual é o melhor para sua saúde....